IA no Marketing: Ferramenta, Não Estratégia

Equipe de marketing em brainstorm com um robô de inteligência artificial, colaborando na criação de ideias em um ambiente de trabalho.
Quem trabalha com marketing sabe que a Inteligência Artificial foi um divisor de águas na prática profissional. Otimizando processos, trazendo insights criativos, revisões e análises, enfim, uma grande ferramenta em praticamente quase todas as áreas de atuação do marketing. Os benefícios são tantos que praticamente não se fala em outra coisa, e gente que até então não era da área de marketing já se aventura através da IA. Contudo, existem casos em que o uso dessa ferramenta pode prejudicar ou pelo menos não ajudar tanto o profissional. Mas, calma! Não quero desmerecer a tão amada IA, mas, junto com dicas de sua utilização, fazer um alerta. Leia até o final e te contarei como tenho usado e quais problemas já percebi com a Inteligência Artificial.

Canivete Suíço

Precisou de uma imagem? A IA faz. Precisou de um texto publicitário? A IA faz. Precisou de um site? A IA faz. Precisou de uma apresentação? A IA faz. Vai fazer uma análise com relatório? A IA ajuda. Planejamento, seja de mídias ou editorial? Pode usar a IA. Vídeo? IA também. Um artigo, como esse? Pode contar com a IA. Sim, tudo ficou mais fácil com o uso da IA. A meu ver, isso é maravilhoso. As possibilidades são incríveis e o profissional que dominar a ferramenta, conseguirá ter resultados cada vez melhores.

Porém, quero fazer um contraste. A IA fará uma imagem que você pediu, mas a ferramenta não é um designer profissional, nem um copywriter, nem um webdesigner, enfim, ela precisa do profissional para realmente chegar num resultado de qualidade. Já ouvi pessoas dizendo que não precisam mais dos profissionais, por usarem a IA; que reduziram a equipe pela metade, por usar a IA. E na maioria das vezes em que vi o resultado disso, só comprovou que o profissional era muito importante. A culpa certamente não é da ferramenta. Você consegue fazer muitas coisas, sim, vai ficar bom, depende.

Deixe-me exemplificar com um caso. Um amigo empresário, muito empolgado com o uso da IA, começou a fazer alguns comunicados ilustrados no Chat GPT. Apesar de ter uma funcionária responsável pelo design e artes da empresa, ele refutava as ideias dela e acabava usando as próprias. Dos comunicados passou para panfletos, placas e em pouco tempo o que percebi foi a perda da identidade visual da empresa. Cancelou o fee com a agência que cuidava do site e gestão do Google Meu Negócio e resolveu fazer ele mesmo. Resultado, site fora do ar e prejuízo para a marca mais uma vez. Fez falta o olhar técnico, o tempo dedicado do profissional e as estratégias. Ao meu ver, a facilidade de usar as IAs, a fascinação de ver o resultado pronto em instantes trouxe uma falsa sensação de “poder” e profissionalismo a ele, ignorando a curva de aprendizado para cada uma dessas áreas e como utilizar cada ferramenta. O problema não foi usar IA, mas, confundir acesso à ferramenta com domínio da profissão. 

Reflita comigo, um sujeito pode gerar uma arte excelente no ChatGPT, mas isso não significa que saiba:

  • hierarquia visual;

  • tipografia;

  • composição;

  • identidade de marca;

  • acessibilidade;

  • consistência visual;

  • produção para diferentes formatos.

Da mesma maneira, gerar uma landing page não significa saber:

  • UX;

  • CRO;

  • SEO;

  • arquitetura da informação;

  • performance;

  • segurança;

  • analytics.

Veja bem, a grande questão não é que a IA faça muitas coisas. É justamente essa capacidade que cria a ilusão de que podemos fazer tudo. Porém, o profissional ampliará essa capacidade e trará resultados melhores. Uso a seguinte analogia, não é porque eu aprendi como usar um torquímetro que virei especialista em regular cabeçote do motor. Ou seja, não é porque você usa a IA que virou profissional naquela área, o que não quer dizer que não possa se tornar, mas tem que dedicar tempo no aprendizado. Assim como o olhar do mecânico experiente é tão importante quanto apertar o cabeçote com o torque certo, o olhar e experiência do profissional traz mais qualidade ao resultado e evita problemas. A IA diminuiu brutalmente a complexidade para executar determinadas tarefas. Isso é fantástico! Mas diminuir a barreira de execução não significa diminuir a complexidade da profissão, não elimina o conhecimento necessário para avaliar se aquilo deveria ser produzido daquela maneira.

GENTE NOVA NO TIME

O meu primeiro contato com IA foi em 2019, contudo, ainda era no âmbito acadêmico, ou seja, muito na teoria. A grande mudança começou a acontecer alguns anos depois, quando trouxe a ferramenta para os processos de marketing. Lembro-me que fui fazer um brainstorm para a escolha de um nome para uma marca, o trabalho de branding estava no início. Junto com o time buscamos um nome com ideias de acordo com o briefing, dei um breve resumo para a IA e pedi sugestões de nomes. Juntamos as ideias de todos, inclusive da IA e fomos peneirando até chegar nas três opções finais, daí fizemos uma pesquisa com esses nomes para saber qual era mais marcante e fácil de se lembrar. Note que não chegamos na IA e pedimos diretamente um nome para a marca, ela fez parte do processo de criação, nesse caso do brainstorm. Daí, ela passou a ser utilizada para criação de textos, análises de dados e praticamente tudo mais. Mas, repito, a IA não era o fator decisor, era como se fosse um integrante do time, fazendo parte dos processos de marketing. 

Confesso que, geralmente, os resultados obtidos pela IA são muito bons. Por isso, eu entendo que a tentação de pegar logo o resultado e usar é grande. Por exemplo, você precisa de um mote para uma campanha. Nessa criação geralmente temos, briefing - pesquisa - brainstorm - análise - produção de vários títulos (pelo menos uns 50) - pesquisa - decisão. Caso faça diretamente com a IA você fará: o prompt - resultado - decisão. Sim, é tentador. Já vi influenciador sugerir um prompt onde você pede 10 opções, depois pede as 3 mais adequadas, ou seja, pede para a IA fazer as opções de mote e ela mesma escolher as finalistas. Você não sente que algo foi perdido no caminho? No processo de criação podemos desenvolver:

  • repertório;

  • reflexão;

  • associação de ideias;

  • discussão com outras pessoas;

  • percepção de nuances;

  • amadurecimento da ideia;

  • confronto com o briefing.

O que sugiro é, insira a IA em todo o processo, porém, não abra mão do seu olhar e reflexão. Ainda sugiro uma técnica que uso para decisões assim, quando chegar ao resultado final, espere uma noite de sono e veja se no outro dia aquele resultado ainda soa tão atrativo. O que quero dizer é, em nosso mundo imediatista e na correria do dia-a-dia, fuja da tentação de “terceirizar” todo o seu processo de marketing.

Processo tradicional

Briefing → Pesquisa → Brainstorm → Análise → Produção → Validação → Decisão

Processo potencializado por IA

Briefing → Pesquisa (com IA) → Brainstorm humano + IA → Análise humana + IA → Produção → Validação humana → Decisão

Note que, a IA entra no processo, mas não vira o processo. 

O MODELO LLM E SEUS VÍCIOS

Ao usar uma IA no modelo LLMs, como ChatGPT e Cloude, você já teve a sensação que as respostas tendem a te agradar? Os modelos conversacionais são otimizados para produzir respostas úteis, relevantes e alinhadas às instruções e preferências do usuário, e isso pode fazer com que eles acompanhem premissas equivocadas ou sejam excessivamente concordantes em determinadas situações. Nesse intuito, a resposta acaba sendo um pouco tendenciosa. Tendo consciência disso, treine os seus prompts para que extraia respostas cada vez mais fidedignas. Seja nas análises ou nas produções, a qualidade das respostas pode estar diretamente ligada ao prompt. Por exemplo, se você pedir: “Analise minha estratégia e diga se ela está boa.” Provavelmente terá uma resposta mostrando o que há de bom nela. Mas, ao usar: “Analise esta estratégia procurando especificamente inconsistências, premissas frágeis, riscos e pontos que eu possa estar ignorando. Não parta do pressuposto de que minha estratégia está correta.” Provavelmente, retornará com um resultado melhor mostrando onde ajustar a estratégia.

Outro equívoco que vejo muitos usando é a tal de persona. Sabe aquele prompt do tipo, “haja como um copywriter expert de uma grande agência famosa” e pede um roteiro de VSL de sucesso. Veja que, sem fornecer as informações necessárias, que um copywriter exigiria, certamente o resultado não será exatamente de um profissional expert. O que quero apontar é que apenas o prompt nem sempre é suficiente. Para respostas de um expert é preciso, qualidade do contexto + qualidade da pergunta + conhecimento do usuário + capacidade de avaliação + qualidade do modelo + processo de interação. Veja que mais uma vez esbarramos na questão que apontei acima, a IA ajuda, mas, é necessário o olhar profissional para avaliar a resposta. Uma pessoa pode escrever: “Atue como o maior copywriter do mundo...” e receber um texto aparentemente maravilhoso. Mas se ela não sabe avaliar copy, como saberá se recebeu uma boa copy? 

Pedir à IA para assumir uma profissão não transfere para ela todo o conhecimento contextual daquela profissão. Escrever: “Seja um especialista em marketing”, não fornece:

  • público;

  • posicionamento;

  • produto;

  • concorrência;

  • histórico;

  • objetivos;

  • restrições;

  • diferenciais;

  • dados;

  • orçamento;

  • canal;

  • estágio do funil.

Ou seja: Não existe prompt mágico capaz de substituir briefing.

O PROFISSIONAL COMO FILTRO

A IA tornou mais fácil produzir. Por isso mesmo, tornou-se ainda mais importante saber o que produzir, por que produzir e como avaliar o resultado. Essa capacidade de avaliar aquilo que ela produz é que diferencia os bons profissionais. O bom profissional irá:

1. ContextualizarDar à IA aquilo que ela precisa saber. Informações pertinentes que impactam no resultado.

2. QuestionarFazer as perguntas certas e guiar a IA em boas práticas.

3. AvaliarJulgar se aquilo realmente faz sentido. O olhar atento no resultado final.

4. DecidirAssumir a responsabilidade pelo resultado. Ter clareza do processo e do porque aquele resultado é satisfatório.

O profissional de marketing utiliza a IA, potencializando o seu uso, e trazendo melhores resultados, especialmente por filtrar respostas e apontar aquilo que é importante. A seguir darei um exemplo em um caso concreto.

IA NO PLANO DE SOCIAL MEDIA

A missão era fazer um planejamento para a conta do Instagram. A Social Media trouxe os dados e fomos fazer uma analise. Começamos com um pequeno brainstorm, coletando algumas ideias e coisas que estavam na mente. Depois fomos para um “pente fino” nas métricas do perfil. Após o nosso olhar, pedimos um diagnóstico ao Cloude em busca de algo mais que poderíamos ter deixado passar. De fato veio muita coisa, e seria fácil perdemos o foco se não tivéssemos claro na mente quais indicadores buscávamos e os objetivos pretendidos. Então foi a hora de olharmos para a concorrência, e fazermos aquele benchmark. 

Utilizamos o Manus para “bisbilhotar” o que estava funcionando melhor para os concorrentes. Veio muita coisa, de novo, e o Manus ainda trouxe por conta própria, uma espécie de planejamento baseado no que ele encontrou. Facilmente aqui, pela qualidade do material que chegou, poderíamos dar o trabalho por encerrado e usar o plano que ele trouxe. Mas, o que dá certo para o seu vizinho não é necessariamente o que dará certo no seu perfil. O olhar experiente nos levou a rejeitar a tentação e continuamos nas análises confrontando os resultados obtidos.

O ChatGPT nos ajudou a desenhar a estratégia da linha editorial e finalizamos no Claude, montando o calendário de postagem com clareza em todo o processo. Destaco que em quase todo o processo, tivemos que fazer uma espécie de curadoria nas respostas separando o que realmente interessava e guiando a IA em busca do que realmente queríamos. Isso aconteceu em todos os passos:

  1. Diagnóstico - definição de objetivo e do problema que enfrentamos, seguido de breve brainstorm;

  2. Pesquisa - olhando para o perfil, como o nosso público reagia, e em busca do público-alvo (definindo a persona), além de benchmark (o que funciona para esse público na concorrência;

  3. Construção da linha editorial e calendário;

  4. Análise e otimização do plano para apresentação.

Note que a escolha da ferramenta depende da necessidade de cada etapa e da complexidade do projeto. Não existe uma combinação fixa que funcione igualmente bem em todos os trabalhos. Perceba também que, se pedíssemos para o Claude montar o planejamento ele o faria do bom grado. Porém, ao participarmos de todo o processo, temos ao final muito mais clareza dos porquês e como fazer. Isso facilitará para o criativo e produção de vídeos, além das análises futuras das métricas.

IA NO MARKETING - CONCLUSÃO

Como vimos, a IA virou parte natural do marketing. É fantástica, mas existe uma diferença entre utilizar a ferramenta e entregar a ela o processo. Entender esse conflito é perceber onde ela realmente ajuda e onde pode atrapalhar. A IA não diminuiu a importância do profissional de marketing. Ela aumentou o alcance de quem sabe utilizá-la. Hoje, posso dizer que no dia-a-dia do meu trabalho, a IA é uma espécie de colega de equipe que nunca substitui o responsável pela decisão. Ao conversar com ela trago a experiência, o briefing, o contexto e a intenção. A IA ajuda a:

  • provocar;

  • questionar;

  • estruturar;

  • pesquisar;

  • encontrar alternativas;

  • revisar;

  • apontar inconsistências;

  • acelerar tarefas.

Mas a decisão continua sendo minha. Assim, ela me auxilia, mas, se eu cair na tentação de apenas copiar e colar, posso sair perdendo. Facilmente isso aconteceria com essa postagem do blog. Poderia pedir um texto de 1200 palavras que falasse sobre o uso da IA no marketing e simplesmente copiar e colar. Só que aí não traria a minha experiência e visão pessoal. Ou seja, o próprio processo de produção deste artigo é uma demonstração da tese. E você, como tem usado a IA no marketing? Montou os agentes e eles fazem todo o trabalho por você? Como tem sido a sua experiência?

Inbound Marketing: ainda funciona em 2026?

Inbound Marketing em 2026: atração e conexão com clientes

Temos falado e ouvido falar das mudanças do marketing nessa revolução das IAs generativas. De fato, são muitas as novidades, e o dia a dia da prática do marketing acabou se transformando de vez. Mas será que isso invalidou técnicas e formas antigas de atuação, especialmente o marketing de conteúdo — mais precisamente, o Inbound Marketing? Será que o tão falado e utilizado Inbound Marketing morreu? Se não morreu, como ele deve ser aplicado hoje?

Falarei um pouco sobre o Inbound Marketing neste artigo e apontarei algumas boas práticas para utilizar essa poderosa técnica de atração.

O que é Inbound Marketing?

Você já percebeu como mudou a maneira de as pessoas encontrarem empresas, produtos e serviços?

Antes de comprar, o consumidor pesquisa. Compara. Assiste a vídeos. Lê avaliações. Pergunta nas redes sociais. Consulta sites. E, cada vez mais, também faz perguntas diretamente às ferramentas de Inteligência Artificial.

Nesse cenário, simplesmente colocar uma mensagem diante do público já não é suficiente. As marcas precisam estar presentes quando as pessoas procuram respostas, informações e soluções.

É nesse contexto que o Inbound Marketing continua relevante.

Mas o Inbound de hoje não é exatamente o mesmo que conhecíamos alguns anos atrás.

A lógica de atrair pessoas por meio de conteúdo relevante continua válida, mas os canais, as tecnologias e o comportamento do consumidor mudaram bastante.

Por isso, o Inbound costuma ser associado ao marketing de atração.

Se você ainda não conhece o conceito de Inbound Marketing, leia também: Inbound Marketing: significado, conceito e como funciona.

Como o Inbound Marketing atrai clientes?

A chave para compreender o Inbound Marketing nos dias atuais está justamente em entender essa lógica de atração: precisamos conhecer as necessidades e os interesses do cliente.

Assim, o Inbound Marketing é uma abordagem baseada na criação de conteúdo para atrair pessoas, estabelecer relacionamento e conduzir a uma oferta e possível compra — e também depois dela.

A grande sacada está em produzir conteúdos que, de alguma forma, tragam valor, resolvendo algum problema ou trazendo uma dica útil para o possível cliente. Ou seja, temos presentes as ideias do marketing de conteúdo e da compreensão mais profunda do público-alvo, em busca do relacionamento.

A ideia central é simples: em vez de falar apenas sobre aquilo que a empresa quer vender, a marca também produz e distribui conteúdos relevantes que ajudam o público a compreender seus problemas, avaliar possibilidades e encontrar soluções.

Nesse processo, a marca é vista e o lead é atraído. Contudo, note que o grande objetivo não é produzir conteúdo para aumentar a popularidade, nem simplesmente divulgar a marca. A questão é buscar o relacionamento, o contato, a conversa.

A partir daí, quando o lead chega a esse nível, ele já está mais aberto para ouvir sua proposta, conhecer suas soluções e produtos, porque já experimentou algo que você produziu e que o ajudou de alguma forma.

Podemos pensar nessa lógica da seguinte maneira:

Público busca uma solução → encontra seu conteúdo → recebe uma nova solução em troca de um contato → continua recebendo conteúdo relevante → conhece sua oferta → considera a compra → torna-se cliente → continua se relacionando com a marca.

Por que o Inbound continua relevante?

Perceba que o comportamento de compra mudou. O consumidor atual tem acesso a uma quantidade enorme de informações e pode pesquisar praticamente qualquer assunto antes de tomar uma decisão.

Isso aumentou a importância daquilo que a marca consegue oferecer antes mesmo de uma venda.

  • Um artigo pode responder uma dúvida.
  • Um vídeo pode demonstrar uma solução.
  • Um e-book pode aprofundar um assunto.
  • Um webinar pode ensinar alguma coisa.
  • Uma newsletter pode manter o relacionamento.
  • Uma conversa no WhatsApp pode ajudar na decisão.
  • Uma avaliação de cliente pode aumentar a confiança.

Todos esses pontos de contato podem fazer parte de uma estratégia de Inbound.

Você já deve ter percebido que o Inbound Marketing está muito presente nos dias atuais, especialmente nas redes sociais. A imensa maioria dos produtores de conteúdo, em algum momento, chegará à oferta de algo.

Isso que temos visto é a lógica do Inbound Marketing por trás de várias camadas da vida digital. Por isso, ter clareza sobre a forma como ele funciona traz mais assertividade para a execução.

SEO continua importante — mas a busca está mudando

Durante muitos anos, uma das principais metas do conteúdo de Inbound era aparecer bem posicionado no Google e conquistar cliques para o site.

Isso continua sendo importante. Mas a busca está passando por uma transformação significativa.

Os mecanismos de busca passaram a apresentar respostas diretamente nas páginas de resultados, e ferramentas de Inteligência Artificial também passaram a responder perguntas que antes levariam o usuário a visitar vários sites.

Isso cria um novo desafio para as marcas.

Não basta pensar apenas:

“Como faço para meu site aparecer no Google?”

É preciso começar a perguntar também:

“Como faço para minha marca ser considerada uma fonte relevante quando alguém fizer uma pergunta relacionada ao meu mercado, para que uma IA possa apresentá-la em uma resposta?”

É nesse contexto que ganharam espaço conceitos como AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization).

De maneira simplificada, ambos ampliam a lógica do SEO para considerar ambientes em que o usuário não está apenas procurando links, mas respostas — inclusive aquelas produzidas por ferramentas de Inteligência Artificial generativa.

A proposta é ampliar a lógica tradicional do SEO para considerar também os mecanismos que geram respostas, incluindo ferramentas baseadas em Inteligência Artificial.

Em outras palavras, a disputa pela atenção não acontece mais apenas pelos dez links da primeira página de um buscador. A marca também precisa buscar visibilidade dentro das respostas.

EngineO que buscamos entender Exemplo
SEO O que as pessoas pesquisam “Escola de Educação Infantil em Goiânia”
AEO Que pergunta precisa ser respondida “Qual escola é adequada para uma criança de 4 anos?”
GEO Que informações podem ajudar uma IA a compreender e recomendar uma marca Conteúdo, contexto, experiência e autoridade

Mas o conteúdo não é importante apenas para ser encontrado nos buscadores. Hoje, a jornada do cliente pode ser um caminho cheio de voltas.

Inbound Marketing não significa esperar o cliente chegar

Existe uma diferença importante entre atração e passividade.

Durante muito tempo, pensamos a jornada de compra como um funil relativamente organizado:

atração → consideração → decisão → compra.

Ou seja: o cliente pode chegar espontaneamente até determinado conteúdo, mas existe muito trabalho estratégico por trás dessa descoberta.

O importante é que a comunicação seja relevante para o público e coerente com os objetivos do negócio. Isso irá garantir a atração do público? Nem sempre.

O problema, hoje em dia, é que o comportamento real das pessoas raramente funciona como um funil linear e organizado.

Alguém pode descobrir uma empresa no Instagram, pesquisar seu nome no Google, assistir a um vídeo no YouTube, consultar avaliações, perguntar a uma ferramenta de Inteligência Artificial, conversar pelo WhatsApp e só então entrar no site.

Outra pessoa pode fazer exatamente o caminho contrário.

Por isso, é mais útil pensar em uma jornada formada por diferentes pontos de contato do que em uma sequência rígida de etapas.

O papel do Inbound é ajudar a marca a estar presente nesses momentos com informações úteis, relevantes e coerentes. E, assim que a atração acontecer, o próximo passo, de se conectar, é importantíssimo.

Um ecossistema consistente de Inbound irá marcar aquele cliente e muni-lo de informações para que ele possa se lembrar e considerar a marca.

Sim, isso pode envolver enviar e-mails, mensagens e até publicidade paga. Lembre-se: o cliente pode ser atraído e, se você não for atrás, facilmente perderá o interesse ou se esquecerá.

A jornada do cliente mudou, e o Inbound Marketing atual deve considerar uma busca constante de engajamento e conversa.

E onde entra a Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial já deixou de ser apenas uma promessa para o futuro do marketing.

Ela passou a fazer parte de diversas atividades do dia a dia.

No Inbound, pode apoiar desde a pesquisa até a análise dos resultados.

Pode ajudar, por exemplo, a:

  • pesquisar temas e perguntas do público;
  • identificar oportunidades de conteúdo;
  • gerar ideias e primeiros rascunhos;
  • adaptar conteúdos para diferentes canais;
  • resumir materiais;
  • apoiar segmentações;
  • analisar dados;
  • personalizar comunicações;
  • automatizar tarefas;
  • auxiliar no atendimento;
  • identificar padrões de comportamento;
  • apoiar estratégias de lead scoring;
  • apoiar a criação de conteúdos especializados;
  • auxiliar na produção de sites e landing pages.

Mas existe uma diferença importante entre usar IA para produzir mais e usar IA para fazer marketing melhor.

A tecnologia pode acelerar a produção de conteúdo, mas não substitui o conhecimento sobre o público, a estratégia, o posicionamento da marca ou a experiência profissional.

Por isso, uma boa estratégia de Inbound em 2026 não deveria perguntar apenas:

“Como podemos usar IA?”

A pergunta mais importante é:

“Onde a IA pode aumentar a qualidade, a eficiência ou a capacidade de decisão da nossa estratégia?”

Os principais erros em uma estratégia de Inbound

Apesar de parecer simples, Inbound Marketing não funciona apenas porque uma empresa criou um blog ou começou a publicar nas redes sociais.

Alguns erros são bastante comuns.

  • Produzir conteúdo sem estratégia: publicar muito não significa produzir conteúdo relevante.
  • Falar apenas sobre a empresa: se todo conteúdo é institucional ou promocional, dificilmente a marca conseguirá responder às perguntas que o público realmente possui.
  • Escolher canais pela moda: o melhor canal não é necessariamente o mais popular. É aquele em que a empresa consegue encontrar seu público e entregar valor.
  • Automatizar tudo: automação deve melhorar a experiência, não transformar a comunicação em uma sequência impessoal de mensagens.
  • Produzir conteúdo genérico com IA: a facilidade de gerar textos aumentou. A facilidade de produzir conteúdo realmente relevante, porém, não aumentou na mesma proporção. Conteúdo precisa de contexto, experiência, dados, exemplos e opinião.
  • Medir apenas alcance: visualizações e visitas podem ser importantes, mas não necessariamente significam resultado de negócio.

Uma estratégia de Inbound precisa estabelecer conexão entre comunicação e objetivos comerciais.

Inbound Marketing não é uma fórmula pronta

Talvez a melhor forma de concluir essa reflexão sobre o Inbound Marketing para 2026 seja ir na contramão dos gurus de marketing que tentam vender uma fórmula pronta.

Esse é o segredo principal: assim como sua marca é única, a estratégia que você usará também deve ser.

Use os princípios de atração, conexão e conteúdo, mas use-os de acordo com o seu perfil. Certamente, você precisará de um plano de marketing um pouco mais detalhado para definir como será a sua atuação.

Falamos um pouco sobre isso neste artigo: Como Pequenas Empresas Devem Pensar o Marketing em 2026.

Talvez o Inbound Marketing não seja a única estratégia que você usará, mas certamente poderá contribuir.

As ferramentas também mudam.

Hoje temos CRM, automação, plataformas de conteúdo, analytics, mídia paga, social media, WhatsApp, Inteligência Artificial e uma série de outras tecnologias que podem participar dessa estrutura.

Mas tecnologia não substitui estratégia.

Antes de escolher uma ferramenta, precisamos saber o que queremos alcançar, para quem estamos falando, qual valor entregamos e como vamos medir o resultado.

O Inbound continua baseado em uma ideia bastante atual: criar valor para conquistar atenção e construir relacionamento.

O que mudou foram os caminhos utilizados pelas pessoas para encontrar esse valor.

  • A busca está mudando.
  • Os canais estão mudando.
  • A tecnologia está mudando.
  • A Inteligência Artificial está mudando.
  • E o próprio comportamento do consumidor está mudando.

Mas isso não significa que o Inbound tenha morrido. Significa que ele precisa evoluir.

Por isso, pensar Inbound Marketing em 2026 significa ir além de produzir conteúdo para gerar tráfego. Significa construir uma presença digital capaz de responder às perguntas do público, demonstrar autoridade, criar relacionamento, facilitar a decisão e continuar relevante depois da venda.

A tecnologia pode ajudar muito nesse processo. Mas ela não substitui aquilo que continua sendo essencial no marketing: compreender pessoas, compreender o mercado e entregar uma proposta de valor relevante.

E você, como sua empresa tem ajudado o público a encontrar respostas antes mesmo de apresentar uma oferta?

Talvez essa seja uma boa pergunta para começar — ou revisar — sua estratégia de Inbound Marketing.

Como pequenas empresas devem pensar Marketing em 2026

Profissional de marketing analisando uma escola para planejar estratégias de marketing

 Eu nunca tive o prazer de fazer um planejamento de marketing de uma grande empresa. Minha experiência foi, principalmente, com pequenas e microempresas.

Em um planejamento de marketing tradicional, devemos analisar os ambientes interno e externo, observando fraquezas, potencialidades, oportunidades e ameaças. Nesse esforço, entram ferramentas como os 4 Ps — Produto, Preço, Praça e Promoção —, a conhecida análise SWOT e, dependendo do caso, outras análises mais aprofundadas, como estudos de público, comportamento do consumidor ou aceitação e impacto de determinado produto.

Depois desses estudos, passamos à escolha das estratégias e ações que nos levarão aos resultados pretendidos. E, caso seja adotada uma estratégia mais específica de branding, por exemplo, para fortalecimento da marca, possivelmente novas análises e estudos serão necessários.

Tudo isso pode se tornar bastante complexo quando temos, por exemplo, um grande mix de produtos.

Eu poderia citar muitos exemplos, mas a questão que quero trazer é outra: apesar de estudar tudo isso, na prática das micro e pequenas empresas, nunca cheguei a aplicar integralmente todas essas análises.

Este é quase um desabafo.

Acredito que todo profissional de marketing sonha em realizar grandes análises, mergulhar em vastos volumes de dados e alcançar uma profundidade cada vez maior de convicção para tomar decisões estratégicas.

O problema é que tempo e dinheiro são gastos nesse processo. E esses dois ativos são extremamente escassos quando trabalhamos com micro e pequenas empresas.

A realidade do marketing nas pequenas empresas

Como, então, geralmente é feito o plano de marketing dessas empresas?

Alguns fatores são bastante característicos dessa realidade — e talvez você se identifique com o que vou contar.

Nos cases que atendi, encontrei frequentemente:

  • Orçamento baixo: não havia recursos para contratar pesquisas de maior custo ou adotar estratégias mais ousadas.

  • Tempo escasso: muitas vezes era literalmente "trocar a roda enquanto a carruagem está andando". Era preciso atender uma demanda urgente ao mesmo tempo em que tentávamos construir um planejamento melhor para médio prazo.

  • Equipe reduzida: consequência, em grande parte, do próprio orçamento. A estrutura costuma ser a mais enxuta possível.

  • Poucos dados disponíveis: raramente encontrei um planejamento prévio, um manual de identidade ou algum material mais elaborado nos clientes que atendi. Na maioria das vezes, os dados precisavam ser "garimpados".

  • O gestor se considera especialista em tudo: como acontece em muitos negócios, o dono quer "bater o escanteio, cabecear e ainda defender o gol". Dessa forma, são comuns palpites e ordens para mudar algo no plano porque ele "tem certeza de que não vai dar certo".

  • Preferências e palpites pessoais: o sobrinho do dono, que não é profissional de marketing, dá sua opinião sobre como o trabalho deveria ser feito; o gestor tem uma "intuição" sobre determinada estratégia e quer que ela seja executada daquela maneira; o proprietário é apaixonado por determinado filme, cor ou cantor e decide que a campanha precisa abordar aquilo.

A lista poderia continuar.

Talvez você mesmo consiga acrescentar alguns desafios encontrados no planejamento de marketing de pequenas empresas.

Mas o ponto que quero destacar é que o planejamento de marketing dessas empresas normalmente acontece em um ambiente cheio de restrições, especialmente de recursos, tempo, dados e estrutura interna.

E existe ainda um problema adicional: mesmo quando conseguimos fazer um bom diagnóstico, muitas vezes as decisões tomadas durante o planejamento acabam sendo alteradas no momento da execução.

Por isso, o profissional de marketing precisa ter clareza sobre quais análises realmente farão diferença para aquele negócio.

Não se trata de fazer menos por fazer menos. Trata-se de concentrar esforços no que pode produzir maior impacto.

Em resumo, podemos dizer que micro e pequenas empresas frequentemente possuem limitações de recursos e conhecimento técnico, o que pode tornar as auditorias ambientais tradicionais complexas, demoradas e caras.

Um mapa mais enxuto para o planejamento

Quem nos apresenta um verdadeiro "mapa da mina" para o planejamento de pequenas empresas é o professor Nino Carvalho, especialmente por meio de sua Metodologia PEMD.

Em seu trabalho sobre o Ecossistema de Marketing para Pequenas Empresas, Nino propõe uma abordagem mais enxuta e pragmática. Em vez de tentar reproduzir nas pequenas empresas toda a complexidade de um planejamento pensado para organizações maiores, a proposta é concentrar a análise em um número menor de áreas estruturais.

A ideia não é abandonar o planejamento estratégico tradicional, mas direcionar a energia para aquilo que é mais essencial e viável dentro da realidade de uma pequena empresa.

Nesse modelo, três pilares ganham destaque:

1. Públicos

O foco deve estar dividido entre os clientes atuais e os potenciais clientes, os chamados prospects.

A máxima de Theodore Levitt é reforçada: marketing consiste em atrair e manter clientes. Portanto, não basta pensar apenas em aquisição.

É preciso conhecer profundamente quem já compra, quem pode comprar e, principalmente, por que essas pessoas compram ou deixam de comprar.

Quanto mais informações conseguirmos obter sobre comportamento, necessidades, desejos e percepções do público, melhores serão nossas condições de tomar decisões.

2. Produtos

O segundo ponto é compreender profundamente aquilo que a empresa oferece.

O que você vende? Por que vende? Quais são os diferenciais? Qual é o potencial dessa oferta? Que necessidade ela resolve?

O papel do marketing — ou do consultor — é justamente realizar o "casamento" entre a necessidade do público e o produto ou serviço oferecido.

Parece simples. E, no fundo, é.

Mas conhecer profundamente os dois lados desse casamento pode fazer uma enorme diferença.

3. Concorrentes

E então aparece um terceiro elemento: a concorrência.

Se o objetivo é aproximar o público da oferta, os concorrentes são uma barreira que pode dificultar essa conexão.

É por isso que Nino Carvalho fala em uma espécie de "paranoia competitiva": acompanhar constantemente preços, produtos, processos, equipes, estratégias, movimentos e presença digital e física dos concorrentes.

A expressão pode parecer exagerada, mas a ideia é bastante prática: você precisa saber o que está acontecendo ao seu redor.

Não para copiar o concorrente, mas para entender o mercado, identificar oportunidades, perceber ameaças e, principalmente, descobrir onde sua empresa pode ser melhor.

Quando os três pilares saem do papel

Um exemplo que vivenciamos recentemente aconteceu em um plano de marketing para uma escola.

Os números mostravam uma queda nas matrículas e um aumento na evasão escolar. Não poderíamos continuar daquela forma. A situação colocava em risco a própria sustentabilidade do negócio.

Ter um plano de marketing mais assertivo era, portanto, prioritário e urgente.

Começamos pelo estudo do público, especialmente do público interno.

Por meio de uma análise de cohort, percebemos que os alunos da Educação Infantil tendiam a permanecer na escola ao longo dos anos mais do que os alunos do Ensino Fundamental. Havia, portanto, uma diferença importante de comportamento entre esses públicos.

A conclusão foi clara: precisávamos pensar em estratégias diferentes para cada um deles.

Também percebemos a necessidade de um espaço mais adequado para a Educação Infantil. No plano, propusemos a reorganização das turmas entre os prédios, de forma que a Educação Infantil tivesse uma área mais separada dos demais segmentos, incluindo um playground próprio.

Ao mesmo tempo, analisamos os concorrentes.

Descobrimos que cinco novos players haviam entrado na região, sendo dois deles pertencentes a grandes franquias.

Por meio de cliente oculto, analisamos cada um deles: recepção, atendimento, processo de venda, oferta, estrutura e outros aspectos da experiência apresentada ao potencial cliente.

O aumento da concorrência explicava parte da evasão, mas obviamente não explicava tudo.

Também trabalhamos os diferenciais internos, realizando uma repaginação do ambiente e da proposta da Educação Infantil.

Identificamos dois diferenciais que eram pouco explorados pela concorrência e passamos a comunicá-los e monitorá-los de perto.

Esse monitoramento trouxe muito mais argumentos para a equipe comercial. Ela passou a saber exatamente o que cada concorrente oferecia e quais eram os valores praticados.

Também adequamos nossa oferta e passamos a monitorar os leads visitantes para entender, entre outras coisas, quais concorrentes eles também estavam considerando.

O mesmo raciocínio foi aplicado ao Ensino Fundamental.

A análise mostrou que a quadra poliesportiva era um ponto considerado importante pelo público interno. O plano resultou na reforma da quadra e na criação de uma quadra de vôlei de areia, além da personalização de algumas salas.

Essas mudanças aumentaram significativamente a percepção de valor dos alunos em relação à escola.

E a concorrência continuava sendo monitorada de perto: cada evento, cada novidade e cada movimento relevante eram observados.

Não precisamos analisar tudo para decidir melhor

Claro que todo esse plano também resultou em campanhas e anúncios que comunicavam os diferenciais encontrados.

Mas perceba algo importante.

O ambiente externo estava impactando negativamente a escola, enquanto o ambiente interno não estava suficientemente preparado para responder a essa pressão.

Ainda assim, não precisamos fazer uma análise SWOT completa, nem uma análise exaustiva dos 4 Ps para chegar às principais decisões.

Fomos diretamente aos pontos que poderiam fazer diferença naquele momento:

Públicos. Produtos. Concorrentes.

Foi suficiente para encontrar problemas importantes, identificar oportunidades e transformar essas descobertas em ações concretas.

E essa, para mim, é uma das grandes contribuições de pensar o marketing dessa maneira nas pequenas empresas.

Como pensar Marketing em 2026?

Pequenas empresas devem pensar o marketing em 2026 como uma ferramenta para conhecer melhor seus públicos, adaptar seus produtos e aumentar sua competitividade.

Marketing não deve ser visto apenas como a área que publica nas redes sociais ou cria anúncios.

Isso é parte do trabalho.

Marketing é muito mais.

É entender o cliente. É compreender a oferta. É acompanhar o mercado. É identificar oportunidades. É construir diferenciais. É tomar decisões.

E, principalmente para as pequenas empresas, é fazer tudo isso de maneira estratégica, mas compatível com os recursos disponíveis.

Pensar marketing em 2026 também envolve compreender e buscar ferramentas que possam colaborar com as decisões e ações necessárias para fortalecer esses três pilares: público, produto e concorrência.

Novas tecnologias e aplicações estão cada vez mais presentes no mundo do martech e podem se tornar um diferencial importante para pequenas empresas.

O dia a dia do profissional de marketing está cada vez mais inserido em um ecossistema de aplicações e ferramentas digitais. Inteligência artificial, automação, análise de dados, CRM, plataformas de mídia, ferramentas de conteúdo e tantas outras tecnologias passaram a fazer parte da rotina de quem trabalha com marketing.

Isso não significa substituir a estratégia pelas ferramentas. Pelo contrário: significa utilizar a tecnologia para ampliar nossa capacidade de analisar, testar, executar e tomar decisões melhores.

O marketing moderno está cada vez mais orientado para o cliente, estratégico e multicanal. Mas isso não significa necessariamente fazer mais coisas.

Às vezes, significa simplesmente saber quais coisas realmente precisam ser feitas.

E você, que trabalha ou administra uma pequena empresa, tem conseguido usar o marketing de forma estratégica ou ele ainda está limitado às redes sociais e aos anúncios?


O Marketing Digital Mudou?

 Evolução do marketing digital do computador antigo ao smartphone com inteligência artificial

Outro dia fui surpreendido com uma pergunta: “O Marketing Digital mudou?”

Em vez de dar uma resposta direta, a pergunta me levou a uma reflexão mais profunda. Afinal, acompanho o marketing digital há bastante tempo e tive a oportunidade de vivenciar algumas dessas mudanças de perto.

Por isso, gostaria de compartilhar parte dessa reflexão aqui, trazendo alguns pontos que considero importantes — e algumas histórias que ajudam a demonstrar como o marketing digital foi se transformando ao longo dos anos.

Eu estava lá no começo

Lembro-me bem do início do que chamamos de marketing digital.

Eram campanhas de e-mail em massa, landing pages simples com formulários, banners clicáveis em sites, os primeiros anúncios no Google e as fanpages no Facebook. Também tivemos Google Plus, Orkut e Foursquare — redes sociais que fizeram parte dessa história, mas que hoje nem existem mais.

Havia ainda o uso de técnicas de black hat para tentar melhorar o posicionamento dos sites nos buscadores.

Sim, eu estava lá.

Muita coisa nem sempre era simples de se fazer. Haviam poucas ferramentas e poucos recursos disponíveis. Algumas estratégias funcionavam, outras acabavam se tornando pura perda de tempo. Mas uma coisa todos nós sabíamos: existia um potencial gigantesco no marketing digital.

Do início dos anos 2000 para cá, muita coisa mudou no mundo, especialmente no ambiente digital. E, claro, o marketing digital também mudou.

Ele amadureceu. Novas ferramentas surgiram. A forma de se comunicar mudou, o alcance aumentou, o envolvimento da sociedade com o ambiente digital se transformou e a presença das empresas nesse universo se tornou cada vez maior.

Eu diria que uma das maiores mudanças foi justamente esta:

O marketing digital deixou de ser uma promessa e tornou-se protagonista do mercado.

E tenho algumas experiências que demonstram muito bem essa transformação.

Quando o digital deixou de ser “uma aposta”

Em 2006, fui convidado para ajudar no início da formação do que chamaram de “equipe online” da área comercial de uma imobiliária em Brasília. Éramos três pessoas, colocadas em um quartinho minúsculo, numa espécie de porão do prédio. Quase ninguém ia até lá.

Nossa responsabilidade era montar os anúncios dos imóveis, fazer a divulgação por e-mail e realizar alguns atendimentos. Nenhuma gerência quis abraçar aquela equipe. A preferência deles era continuar focando no método tradicional de trabalho, especialmente em ações de rua. A equipe online era, de certa forma, ridicularizada pelos demais profissionais.

E isso acontecia justamente em um momento em que Brasília estava fervendo no mercado imobiliário, com a região Sudoeste em forte movimento e o lançamento da novíssima região Noroeste se aproximando.

Os três rapazes do digital ficaram sob a tutela direta de um dos diretores da empresa. Era ele quem acreditava no projeto. E, claro, nós também sabíamos muito bem o potencial do marketing digital. Trabalhamos muito!

Depois de dois anos, aquela pequena equipe havia chegado ao primeiro lugar nas vendas, batendo o recorde da imobiliária.

Não preciso dizer que, pouco tempo depois, aquela equipe se tornou uma gerência independente, com uma estrutura muito maior.

Aquele episódio representa, para mim, uma das primeiras grandes mudanças do marketing digital: ele começou a demonstrar sua força como ferramenta de comunicação e, principalmente, como canal comercial.

Hoje, aquela equipe não existe mais. Mas não porque o digital perdeu importância. É justamente o contrário.

Todas as equipes de vendas passaram a ser, obrigatoriamente, “online”.

E talvez essa seja outra grande mudança do marketing digital: ele deixou de ser uma opção de atuação comercial e passou a ser uma necessidade para quem deseja atuar comercialmente.

O mundo mudou. A forma como as pessoas se comunicam mudou. E o marketing foi junto.

A pandemia acelerou tudo

Se o marketing digital já vinha ganhando espaço, um acontecimento acelerou essa transformação de maneira extraordinária: a pandemia de COVID-19.

A pandemia não criou o marketing digital, mas acelerou sua adoção em uma velocidade que poucos poderiam imaginar. Em poucos meses, empresas e consumidores foram obrigados a transferir para o ambiente digital atividades que antes aconteciam presencialmente. Reuniões, aulas, atendimentos, compras, vendas, relacionamento com clientes e até pequenas interações do cotidiano passaram a acontecer pela internet.

O que antes era uma tendência passou, em muitos casos, a ser uma necessidade.

Em março de 2020, no início daquele período, escrevi sobre essa transformação no artigo “Marketing Digital em Tempos de...”, quando ainda estávamos tentando compreender o impacto que aquele novo cenário teria sobre a comunicação e os negócios.

Olhando hoje para aquele período, fica ainda mais evidente o quanto aquela mudança foi significativa.

Para muitas empresas, o digital deixou de ser apenas um canal complementar e passou a ser uma das principais — ou, em determinados momentos, a única — forma de manter o relacionamento com clientes e continuar vendendo. A pandemia não inventou uma nova realidade. Ela acelerou uma transformação que já estava acontecendo.

E esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes da história do marketing digital: muitas das mudanças que pareciam distantes simplesmente passaram a acontecer muito mais rápido.

Quando o mobile marketing ainda era novidade

Outro exemplo prático dessa transformação aconteceu em um trabalho que fizemos para um restaurante. Na época, eu trabalhava em uma agência de publicidade e tínhamos a conta de um grande restaurante. Juntamente com um colega de trabalho, tivemos contato com uma matéria de um MBA da Flórida que apresentava uma novidade na época: o mobile marketing.

Apesar da realidade daquele mercado ser bastante diferente da nossa, sabíamos que aquilo era uma tendência que, mais cedo ou mais tarde, chegaria forte ao Brasil. E havia uma razão para acreditarmos nisso: os smartphones estavam começando a transformar a maneira como as pessoas acessavam a internet.

Em 2012, porém, os smartphones ainda não eram uma unanimidade no Brasil. Ter um celular com acesso constante à internet estava longe de ser uma realidade tão comum quanto é hoje. Mas já era possível perceber para onde o comportamento estava caminhando.

A popularização dos smartphones mudaria não apenas a forma como acessamos a internet, mas também a maneira como nos relacionamos com informação, marcas e publicidade. O celular passou a acompanhar o consumidor praticamente o tempo todo. Isso criou um novo contexto para a comunicação. O consumidor passou a estar conectado em diferentes lugares, momentos e situações, e isso também mudou a maneira como ele reage aos anúncios.

Aproveitamos aquele conteúdo sobre mobile marketing para criar uma ação para o restaurante.

Instalamos um totem que disparava um voucher com desconto para almoço diretamente no celular de quem passasse em frente ao estabelecimento. A tecnologia chamava bastante atenção. Muitos motoristas paravam o carro e vinham curiosos para saber do que se tratava e como havíamos feito aquilo.

Era uma ação inovadora. Mas, infelizmente, o custo da ação não foi tão compensador quanto esperávamos.

O motivo, olhando hoje, parece bastante claro: o público ainda não estava preparado para aquela experiência.

O mobile marketing era uma novidade em 2012 e ainda era uma opção — por vezes rejeitada — dentro do marketing digital. O que naquela época parecia uma novidade ou até uma aposta passou a fazer parte do cotidiano. Hoje, pensar em marketing digital sem considerar o ambiente mobile é praticamente impossível. O mobile deixou de ser uma possibilidade e passou a ser parte essencial de qualquer estratégia digital.

E esse caso demonstra algo importante: às vezes, a tecnologia chega antes do comportamento.

O profissional de marketing precisa não apenas enxergar o que a tecnologia permite fazer, mas também entender se o público está preparado para aquilo.

A terceira grande mudança: a Inteligência Artificial

A terceira grande camada de mudança no marketing digital que eu destacaria é a chegada da Inteligência Artificial, especialmente com a popularização dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs). Depois da popularização da IA por meio de plataformas acessíveis ao público, o trabalho do profissional de marketing ganhou uma grande aliada.

Meu primeiro contato com Inteligência Artificial aconteceu ainda na faculdade de Gestão da Informação, em 2018, na UFG.

Naquele contexto, aprendi algo que considero fundamental até hoje: as informações de entrada — o prompt — interferem diretamente no resultado final. Ou seja, quanto mais clareza você tiver sobre aquilo que deseja obter, maiores são as chances de conseguir um resultado útil.

Durante o período da pandemia, vi muitos “gurus” confundirem o uso da IA, ensinando, por exemplo, prompts para fazer a ferramenta se comportar segundo personas criadas. Isso, na minha visão, demonstrava uma compreensão bastante limitada sobre o funcionamento da ferramenta. Não adianta simplesmente dizer ao ChatGPT:

“Comporte-se como um copywriter experiente de uma grande agência.”

Se eu não tiver o mínimo de conhecimento sobre o produto final que espero, se não fornecer informações relevantes para o trabalho — como público-alvo, objetivo do projeto e referências ou benchmarks — e, principalmente, se não souber estabelecer limites e dizer também o que não quero que seja feito, o resultado provavelmente não será aquilo que espero.

Por outro lado, um copywriter profissional pode utilizar a IA de uma maneira completamente diferente.

Ele já sabe quais informações são pertinentes, consegue fornecer um direcionamento mais preciso, avaliar criticamente os resultados e utilizar a ferramenta para ganhar tempo e ampliar suas possibilidades.

Imagine, por exemplo, precisar escrever 100 títulos para escolher apenas um para uma peça publicitária. Eu já passei por isso. Leva um tempão. Com a IA, leva cinco minutos.

Mas existe um detalhe importante: a velocidade da IA não substitui o olhar do profissional.

O profissional sabe avaliar melhor o resultado final, perceber se aquele título realmente conversa com o público, identificar problemas de comunicação e escolher o que faz sentido para o objetivo da campanha.

É aí que, para mim, está uma das grandes mudanças trazidas pela IA.

De ferramenta pontual a parceira de trabalho

No início, a Inteligência Artificial podia ser encarada como uma ferramenta para usos pontuais. Hoje, ela passou a fazer parte do dia a dia de muitos profissionais de marketing.

  • Pesquisa de mercado.
  • Produção de peças, incluindo imagens e vídeos.
  • Criação de textos para peças e anúncios.
  • Análise de relatórios.
  • Geração de ideias.
  • Pesquisa e organização de informações.
  • E muito mais.

Esse uso está se tornando cada vez mais natural. E, ao menos no marketing, acredito que estamos diante de um caminho sem volta. Isso não significa que a IA fará o trabalho do profissional de marketing. Significa que o profissional de marketing que sabe utilizar a IA passa a ter novas possibilidades para fazer seu trabalho.

A tecnologia mudou a velocidade, a escala e as possibilidades. Mas não eliminou a necessidade de estratégia.

Então, o Marketing Digital mudou?

Volto à pergunta inicial:

O marketing digital mudou?

Conforme tudo o que vimos, a resposta é sim.

Mudou muito!

  • Mudaram as ferramentas.
  • Mudaram os canais.
  • Mudou a velocidade de produção.
  • Mudou a forma como as pessoas consomem informação.
  • Mudou a maneira como as empresas se comunicam.
  • Mudou a relação entre marcas e consumidores.

E agora estamos vivendo mais uma transformação com a Inteligência Artificial.

Mas algumas coisas fundamentais do marketing digital não mudaram.

  • Ainda é necessário pesquisar para entender o mercado.
  • Ainda é necessário buscar estratégias para alcançar o público-alvo.
  • Ainda precisamos de criatividade para desenvolver peças e campanhas.
  • Ainda é necessário trabalhar com consistência.
  • E, principalmente, ainda precisamos analisar os resultados.

Talvez a grande mudança esteja no “como” fazer.

Mas o “o que” fazer continua valendo.

E talvez essa seja uma das maiores lições que essas mudanças me ensinaram ao longo dos anos:

As ferramentas mudam, os canais mudam, a tecnologia muda — mas os fundamentos do marketing permanecem.

Quem entende os fundamentos consegue aprender as novas ferramentas. Quem conhece apenas a ferramenta pode acabar ficando perdido quando ela mudar.

E você, percebeu essas mudanças?

Agora quero ouvir de você.

Você acompanhou alguma dessas transformações do marketing digital?

Lembra de algum formato de anúncio que hoje parece estranho, mas que já foi uma grande novidade?

E-mail marketing, banners, redes sociais, mobile, anúncios em buscadores, vídeos, influenciadores, Inteligência Artificial... Como foi a sua experiência com essas mudanças?

Compartilhe nos comentários.

Afinal, o marketing digital continua mudando — e essa história ainda está longe de terminar.


© all rights reserved
made with by templateszoo